terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Memorias

Sou eu um ser, tal como tu que estas a ler.
Quando era mais novo meu pai me contava historias das pessoas que iam para a guerra para salvar o pais. E eu ficava todo contente. Pensava "Eles sao tao curajosos, tao fortes! Quando for grande quero ser como eles". E assim foi. Quando fiz 18 anos fui chamado para guerra tal como meu pai. Se nao fosse chamado ia na mesma pois era o meu sonho desde crianca. Meu pai deixava a minha mae e a minha irma com 5 anos. Eu deixava a minha mae, a minha irma e a minha namorada. Elas choravam pois nao sabiamos quanto tempo iamos estar fora. Era a segunda guerra mundial. O meu pai ja tinha ido a 5 meses atras. E eu vou agora porque so agora e que sou maior de idade. Meu pai estava bem. recebiamos cartas dele 1 vez por mes. Era quando podia e quando chegava. Sabiamos que estava bem, mas e sempre uma grande dor saber que podemos nunca mais ver as pessoas que amamos. Mas tudo correu bem. Assim que cheguei la vi que aquilo nao era o que pensava. Eu so via fumo e mais fumo no ar. Eram as armas e as bombas a disparar. Assim que desci do helicoptero vi mais de 100 corpos empilhados uns em cima uns dos outros. A primeira coisa que me lembrei foi ver se o meu pai ainda estava vivo. Nao foi preciso perguntar pois ele apareceu a minha frente mesmo antes de perguntar a alguem. Fiquei todo contente. Estava tudo bem com ele nao estava ferido, nem algo assim. Entao fomos os dois mais 23 homens para outro lado. Eram as piores condicoes que se podiam ter. A nossa casa eram as trincheiras, com agua, ratos, e outros insectos. Um mes depois 6 morreram com doencas, por causa das mas condicoes. E 15 morreram com as bombas e com os tiros. So restavamos eu, o meu pai e mais dois homens, tambem pai e filho. Juntamo-nos a outro grupo que tambem ja tinha morrido muita gente. 19 dias depois o meu pai foi apanhado por uma bomba. Esteve 10 dias internado. Conseguiu recuperar, nao totalmente mas o sufeciente para voltar para a guerra. 3 dias depois sou eu que sou apanhado por uma bala. A minha sorte e que foi de raspao no braco esquerdo. Continuavamos a escrever cartas para a nossa familia mas nao contavamos tudo o que estavamos a viver la. Nao diziamos que nos tinhamos aleijado nem que morriam pessoas aos montes para nao as ferir nem as deixar mais preocupadas do que ja estao. Mais dois meses passaram cheios de morte e tristeza. Mas ainda continuava vivo com o meu pai sempre ao meu lado. Ate que ele levou com uma bala mesmo no coracao. Foi morte imediata. Eu nem queria acreditar no que estava a ver diante dos meus olhos. Ja tinha visto muita gente a morrer mas ver o meu pai a morrer e ainda pior. 2 dias depois acabou a guerra. Fui para casa bem de saude mas mal de consciencia. Levava uma ma noticia que nao e boa de se ouvir. Assim que chegamos todos os sobreviventes ao centro de tropas so viamos pessoas a chorar. Umas de alegria outras de tristeza. Aquilo para mim ja nao era chocante pelo que ja tinha visto naquela guerra. Assim que avistei a minha familia fiquei todo contente por saber que estava tudo bem com eles. Mas mais porque ja nao ia voltar a ver aquele horror diante dos meus olhos. A minha mae desatou a chorar quando reparou que ele nao vinha comigo. Nao foi preciso dizer nada ela precentiu. A minha irma ainda era nova e por isso nao percebia muito bem do que se estava a passar mas com o passar dos anos ela percebeu. E claro ficou muito triste. Passado dois meses da minha chegada casei-me. Nao queria ficar mais tempo sem ela. 50 anos depois, ainda me lembro de tudo. Sao marcas que nunca se esquecem por mais que nao as quizesemos lembrar. Tenho 3 filhos e 6 netos. Eles sabem que fui para a guerra mas nao lhes conto nada sobre isso. Nem de bom de mal. Nao quero que eles se iludam como eu quando era crianca. Uma coisa que aprendi quando fui para la e que nao estamos a protejer so o nosso pais. Estamos a protejer tambem a nossa vida e a de quem mais amamos, mesmo que muitas vezes isso nos custe a nossa propria vida.

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